Em Painel, a Fazenda Grande une tradição tropeira e patrimônio histórico
Localizada nos campos de altitude entre Lages e São Joaquim, a Fazenda Grande de Painel é reconhecida por sua relevância histórica e por abrigar vestígios da época tropeira
Por:
Paulo Chagas
Atualmente, a Fazenda Grande pertence ao empresário e economista Jairo Duarte, natural de Joinville, que há 29 anos decidiu investir na propriedade e, desde então, mantém viva não apenas a atividade rural, mas também o compromisso com a preservação histórica do local.
Sob sua administração, a fazenda revelou-se muito mais do que um espaço produtivo. O território guarda verdadeiros tesouros históricos que ajudam a contar capítulos pouco conhecidos da formação da Serra Catarinense. Entre eles, está um antigo cemitério de escravos, marcado pela simplicidade e pelo silêncio, que remete a um período duro da história brasileira. Há outro cemitério antigo localizado na Fazenda Grande, com lápides datadas do século XIX (1867).
Outro aspecto que chama a atenção são os vestígios de casas subterrâneas, com indícios que apontam para ocupações que podem remontar por volta do ano de 1500. Esses registros arqueológicos despertam curiosidade e levantam hipóteses sobre a presença humana na região muito antes da consolidação das fazendas.
A paisagem da Fazenda Grande também é marcada por elementos históricos preservados ao longo do tempo. As taipas de pedra, com mais de 250 anos, seguem de pé como testemunhas do trabalho realizado por mãos escravizadas, delimitando áreas e compondo o cenário típico dos campos de altitude.
Entre as curiosidades naturais, destaca-se um imponente ipê-amarelo, com cerca de 300 anos, considerado um símbolo vivo da longevidade e da resistência da natureza local. A árvore, de grande porte, se transforma em espetáculo durante o período de floração, reforçando o valor paisagístico da propriedade.
A atividade pecuária permanece como uma das bases da fazenda, com a criação de gado nativo, especialmente da raça crioula lageana, reconhecida pela rusticidade e adaptação ao clima rigoroso da serra.
Ao longo de quase três décadas, Jairo tem conciliado produção e preservação, mantendo a Fazenda Grande como um espaço onde história, cultura e natureza coexistem, e sugere o tombamento dos cemitérios para maior preservação. Afinal, o local segue despertando interesse não apenas pelo seu potencial econômico, mas também pelo patrimônio histórico que abriga e pelas histórias que ainda guarda entre seus campos.
História da Fazenda Grande
Localizada em uma chapada a cerca de 1.300 metros de altitude, nas proximidades do Rio Lavatudo e às margens da SC-114, rodovia que liga Lages a São Joaquim, a Fazenda Grande carrega em sua origem uma história que remonta a um período anterior até mesmo à fundação de Lages.
Ainda nos primórdios da ocupação dos campos de altitude, quando a região era percorrida por tropeiros e desbravadores, em Viamão os irmãos Antônio e Joaquim José Pereira tomaram conhecimento da existência de vastas áreas devolutas, ideais para o estabelecimento de fazendas. Movidos por essas informações, decidiram subir a serra em busca de novas oportunidades.
Foi nesse contexto que Joaquim José Pereira passou a conviver com o bandeirante Correia Pinto, figura central na formação da região e responsável pela fundação de Lages. A presença e a interação com o bandeirante inserem a história da Fazenda Grande diretamente nos acontecimentos que antecederam a consolidação do município.
Ao chegarem ao planalto, os irmãos encontraram campos abertos e condições favoráveis à pecuária, cenário que confirmou os relatos dos tropeiros. Assim teve início a formação da Fazenda Grande, integrada ao movimento pioneiro de ocupação da Serra Catarinense.
Ao longo do tempo, a propriedade consolidou-se não apenas como espaço produtivo, mas também como um verdadeiro patrimônio histórico. Hoje, sob os cuidados do atual proprietário, Jairo, natural de Joinville, que adquiriu a fazenda há 29 anos, o local preserva marcas profundas do passado.
Entre os registros históricos estão um antigo cemitério de escravos e outro de moradores locais, além de vestígios de casas subterrâneas que podem remontar a cerca de 1500, indicando ocupações humanas muito anteriores. As taipas de pedra, com mais de 250 anos, permanecem como testemunhas do trabalho escravizado, enquanto um imponente ipê-amarelo, com aproximadamente 300 anos, simboliza a longevidade da paisagem.
A criação de gado crioulo lageano reforça a tradição pecuária da região, mantendo viva a cultura dos campos de altitude. Dessa forma, a Fazenda Grande se apresenta como um elo entre passado e presente, reunindo história, cultura e produção em um mesmo território.
História detalhada do capitão Joaquim José Pereira
Pioneiros das Lagens
Depois de muitos anos de pesquisa, finalmente encontramos o registro de batismo do capitão Joaquim José Pereira.
Com ajuda do Departamento de Comunicação do Patriarcado de Lisboa e algumas horas de pesquisa e transcrição.
Interessante observar que em meados do século XVII ainda estavam em formação os nomes das famílias. A linhagem paterna do capitão Joaquim José Pereira ainda não adotava sobrenome, então o Pereira veio do vô materno José do Rego Pereira.
Segue abaixo transcrição completa do registro de batismo de 22/04/1744 do Registro número 220 do Livro de Registro de Baptismos B2 da Paróquia de Meca, termo de Alenquer, Patriarcado de Lisboa.
Confira na íntegra a história do capitão José Pereira:
https://pioneirosdaslagens.wordpress.com/2014/08/19/capitao-joaquim-jose-pereira/
https://pioneirosdaslagens.wordpress.com/
Requerimento ao rei de Portugal D José I e que dá fundamentos sobre a forma de aquisição da Fazenda Grande
Certidão de óbito de Joaquim José Pereira
https://pioneirosdaslagens.wordpress.com/2014/09/18/morte-do-maior-estancieiro-da-vila-de-lages/
https://fazendagrande.net/historia_fazenda_grande/
https://fazendagrande.net/historia-do-capitao-joaquim-jose-pereira/
https://fazendagrande.net/blog/
https://fazendagrande.net/historia-crioulo-lageano/
Reportagem: Jornalista Paulo Chagas
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